Dois educadores destacam como está sendo este período atípico
Publicado em 15/10/2021
Por Leticia Scudeiro: Um ano e meio de pandemia foram suficientes para o professor ter seu papel realçado. A tecnologia mudou sua atuação no ensino, mas sem empenho e envolvimento, a travessia teria sido impossível. Como o professor se sentiu nesse período? “O principal desafio é o de você falar sozinho, de não ver a reação dos alunos, e não conseguir perceber se eles estão gostando, se estão odiando, se estão dormindo, ou se estão lá”, diz o docente Celso Sabadin, que leciona cinema, jornalismo e rádio e TV há três anos na Universidade São Judas, em SP.
“Eu não sei se eu escolhi ser professor ou se essa profissão me escolheu, é uma coisa que eu sempre gostei”, destaca. Porém, por conta da pandemia, as aulas online tomaram espaço e muitas características de uma aula presencial foram perdidas. “O gestual se perde nas aulas online. A questão da lousa, do caminhar do professor no meio da sala, do seu posicionamento corporal no meio dos alunos. Eu sinto muito a necessidade de rabiscar a lousa, fazer gráficos e desenhos explicativos. Preciso olhar nos olhos dos meus alunos e perceber se eles estão entendendo e se empolgando.”
Leia: Professores: saúde mental fragilizada e a desvalorização como regra
O contexto da covid-19 ressaltou o papel do professor, que nunca foi tão valorizado. Valéria (que preferiu não se identificar), professora de geografia na Vila Mariana, zona centro-sul de São Paulo, diz: “Antes da pandemia sempre apareciam pessoas defendendo a educação domiciliar. Com a pandemia, muitas famílias entenderam que educar é muito mais difícil do que se supunha. A adesão ao ensino presencial foi muito grande, mesmo no contexto do nosso país, que demorou para vacinar a população. As famílias preferiram a escola.” Há 22 anos lecionando geografia, ela ressalta que esse momento foi muito difícil. “Fazer uma aula no remoto demandam horas de elaboração e tecnologias. Você faz tudo, escolhe conteúdo, edita vídeos, insere sites e faz avaliações. São pelo menos cinco horas para montar uma aula legal sem saber se ela vai dar certo, pois é inédita.”
Celso Sabadin conta que toda aula é diferente, os professores se adaptam às situações, por exemplo, por meio de conversar com os alunos(as). Ele também afirma que o ensino presencial é insubstituível: “Sou neto de italiano, falo com as mãos, gesticulo muito, e acho que tudo isso está sendo irremediavelmente perdido nas aulas online. Nada substitui o contato com o professor presencial, nada substitui tirar as dúvidas dos alunos em sala, conversando com eles. O presencial é fundamental, não tem como substituir”, conclui.
Único brasileiro indicado ao ‘Nobel da Educação’ trabalha a matemática como ferramenta social