NOTÍCIA

Blog

Quem educa a inteligência artificial?

Só se fala nisso. “Agora sim, não precisamos de mais nada para melhorar a educação.” A inteligência artificial (IA) resolverá todos os problemas e dúvidas para a tarefa de educar. De outro lado, os que temem as consequências do uso da IA na tarefa educacional. […]

Publicado em 14/08/2023

por Fernando José de Almeida

Só se fala nisso. “Agora sim, não precisamos de mais nada para melhorar a educação.” A inteligência artificial (IA) resolverá todos os problemas e dúvidas para a tarefa de educar. De outro lado, os que temem as consequências do uso da IA na tarefa educacional.


Leia também

No mundo da inteligência artificial, estudante precisa saber argumentar e pensar criticamente

Mundo das certezas pode ser extinto pela inteligência artificial


De fato, a IA pode ser um risco para as escolas que fazem a tal educação bancária que só deposita informações na cabeça dos estudantes e também fazem uma avaliação bancária, desvalorizando o que os estudantes produziram, questionaram, inventaram, duvidaram. Primeiro, porque tais escolas trabalham para controlar a fraude dos alunos que tentaram enganar o avaliador. Segundo, porque trabalham com a regurgitação de alguns conhecimentos, objetivo dessa avaliação. 

Mas as escolas que trabalham com um ensino vivo e significativo que estimula os aprendizes a irem além do que foi ensinado, relacionando aprendizados, duvidando deles, ousando inventar, nada têm a temer. As boas escolas, os bons currículos, os professores bem preparados usam a avaliação como uma ocasião de aprendizagem. Criativa. Avaliação para a aprendizagem. E não apenas da aprendizagem sem valor e sem significado para os estudantes.

inteligência artificial
Foto: shutterstock

Voltando ao tema: como saber o que o outro sabe? Algumas respostas têm seu foco claro, outras, errantes (no bom sentido do termo) andam por terrenos baldios e imprecisos, aqueles resultantes das experiências de distintas motivações da busca (algumas só para classificar ou punir — outras para acompanhar e valorizar). A maioria das experiências relatadas como conhecimento, aprendido na vida ou na escola, é de caráter brumoso ou hesitante, ambíguo ou impreciso. São relatos de conhecimento: um rico processo.  

O exercício de organização interna para responder sobre o que sei já é um conhecimento. 

O fato mais importante da avaliação é que ela nos faz aprender. 

O que se pretende ao querer ‘saber o que alguém sabe’ é estimular que o interrogado vasculhe os sótãos da memória, a partir do vivido, organizado, recolhido, sistematizado ou depurado. Isso é um exercício fundamental de construção da sabedoria. O interesse da escola é saber como se processa o relato da experiência cognitiva.

Para isso a escola precisa ter um currículo rico, bons professores e uma gestão pedagógica capaz de ensinar à inteligência artificial como apoiar a avaliação da aprendizagem a partir de uma competente e generosa Inteligência Humana, única saída para construir uma escola ética e justa. 

Escute nosso episódio de podcast:

Autor

Fernando José de Almeida


Leia Blog

desinformação_Sayad

As cidades contra a desinformação

+ Mais Informações
fidelizar-alunos-300x200

É melhor fidelizar do que captar alunos

+ Mais Informações
Educação infantil_blog

Abordagem pedagógica reflete mais na qualidade da educação infantil do...

+ Mais Informações
educação_José Pacheco

Entre a barbaridade e a fraternidade

+ Mais Informações

Mapa do Site